Cronograma

Novos e antigos desafios enfrentados nas regiões do país

Aula Magna de Abertura

O Médico e a Finitude da Vida


Dra. Sarah Vieira Carneiro - Ver Lattes

A humanidade luta incessantemente contra a morte e, para isso, vem desenvolvendo inúmeros recursos tecnológicos na tentativa de impedi-la ou de postergá-la. Entretanto, em muitos momentos, esse esforço instrumental e técnico para prolongar a existência afasta o médico do contato próximo com seu paciente.

As escolas médicas constroem o ensino seguindo essa lógica e pautam o conhecimento científico com um propósito bem estabelecido: a cura. Contudo, diante de pacientes em situações limítrofes, curar nem sempre é uma possibilidade. Conhecer detalhadamente a fisiopatologia das doenças, os protocolos e as condutas é crucial, mas insuficiente, embora, muitas vezes, pareça ser nossa única e maior contribuição. E, por isso, a busca inesgotável pela cura acaba nos frustrando intensamente, apesar de sabermos que a única certeza da vida é a morte.

Somos ilusoriamente levados a acreditar que podemos condicionar tudo a nossa vontade e passamos então a interpretar a morte como uma falha do nosso esforço. Esquecemos, porém, um dos pilares da profissão médica: o cuidado. Este que enxerga a pessoa além da enfermidade, torna o ato médico humano, ultrapassa a carência de respostas para um mal e sabe que é possível e natural chegar ao fim com dignidade.

Cuidar nos remete às raízes dessa arte que zela por pessoas, não doenças, e entende que a morte é uma parte integrante e inalienável da vida. Aceitar a morte não como momento, mas como um processo em que a pessoa procura ressignificar a vida sem perder sua identidade é um desafio que precisamos enfrentar. Talvez, a morte seja a parte mais frágil da nossa existência e participar dessa etapa representa uma dádiva ao médico que conseguir ser alento ao acompanhar, em sua humanidade, o fim de uma jornada. Dessa forma, o II COMUEL entende que precisamos aprender a falar sobre morte e sobre luto, pois nossa vida e nosso percurso profissional, sem dúvida, passam por eles.

SEXTA-FEIRA - MANHÃ

08:00 - 08:50
Arritmias Cardíacas e Morte Súbita
Dr. Fabricio Furtado
Hanseníase: Reconhecimento da Doença para Diagnóstico Precoce
Dra. Lígia Martin
A Humanização do Parto Baseada em Evidências
Dr. Vinícius Fernandes
09:00 - 09:50
Panorama Nacional da Febre Amarela
Dra. Amanda Lara
Doença Inflamatória Pélvica: Desafios Diagnósticos e Conduta pelo Clínico Geral
Dra. Ludimila Seko
Fitoterápicos: O Que Todo Médico Precisa Saber?
Dr. Rui Diniz
09:50 - 10:20
COFFEE
10:20 - 11:50
Mesa: Doenças Relacionadas ao Estresse
Síndrome de Burnout: A Saúde do Trabalhador / Inter-relação entre Estresse e os Sistemas Imune, Endócrino e Neurológico
Dra. Ana Maria Benevides e Dra. Edna Reiche
Mesa: Transtornos do Espectro Autista
Quando Pensar em Transtorno do Espectro Autista e o Que Fazer? / Qual o Papel da Psicologia na Abordagem do Transtorno do Espectro Autista?
Dr. Armênio Alcântra e Profª. Adriana Von Stein
Diagnóstico Diferencial da Síndrome Ictérica
Dr. Pedro Humberto Perin Leite

SEXTA-FEIRA - TARDE

13:300 - 14:20
Acesso à Saúde das Populações Indígenas do Centro-Oeste e Norte do País
Dr. Alexandre Padilha
Nefrolitíase: o que há de Novo no Diagnóstico e no Tratamento?
Dr. Horácio Alvarenga
14:30 - 15:20
Relevância dos Tumores Adrenocorticais no Brasil: Aspectos Clínicos e Moleculares
Dra. Tânia Mazzuco
Aspectos Terapêuticos da Cannabis na Medicina
Dr. João Menezes
15:20 - 15:50
COFFEE
15:50 - 16:40
Conjuntura Atual e Novos Aspectos das Arboviroses
Dra. Flávia Trench
Diagnóstico Diferencial de Úlceras em Membros Inferiores
Dr. Eduardo Ramires
16:50 - 17:40
Simpósio Satélite - Determinantes de Saúde: Como Influenciam os Perfis Epidemiológicos e as Particularidades Regionais do Brasil
Dr. Gilberto Martin
18:30
ABERTURA: O Médico e a Finitude da Vida  
Dra. Sarah Carneiro

SÁBADO - MANHÃ

08:00 - 08:50
PrEP e PEP: Profilaxia Pré e Pós Exposição ao HIV
Dr. Jan Walter Stegmann
Diferentes Manifestações da Infecção por Chagas
Dra. Divina Oliveira
Cânceres Gastrointestinais no Sul do País
Dr. Mario Liberatti
09:00 - 10:30
Mesa: Insuficiência Renal Aguda e Uso Racional de Antimicrobianos Nefrotóxicos
Insuficiência Renal Aguda / O uso racional de antimicrobianos nefrotóxicos como prevenção da IRA
Dr. Fabrízio Almeida Prado e Dra. Cláudia Carrilho
Apresentação Oral
Apresentação Oral
10:30 - 11:00
COFFEE
11:00 - 11:50
Epilepsia na Mulher
Dra. Carmen Jorge
Intoxicações Ocupacionais: Desafios no Manejo Clínico
Dra. Simone Mossini
Olfação e Qualidade de Vida: Distúrbios do Olfato na Clínica Médica
Dr. Marco Aurélio Fornazieri

SÁBADO - TARDE

13:30 - 14:20
Leishmaniose Visceral: Desafios Diagnósticos no Nordeste
Dra. Zuleica Tano
Poluição e as Consequências Respiratórias na Saúde Humana
Dra. Fátima Chibana
14:30 - 15:20
A Arte de Envelhecer com Saúde
Dr. Marcos Cabrera
Comprometimento Cognitivo Leve - da Teoria à Prática Clínica
Dr. Fábio Porto
15:20 - 15:50
COFFEE
15:50 - 17:20
Mesa: Sepse: Novas Definições e a Implementação de Protocolos Gerenciados
Sepsis 3 - Qual o impacto das novas definições no diagnóstico e tratamento da Sepse? / Combate à Sepse: desafios da implantação de protocolos nos Hospitais Universitários
Dra. Cíntia Grion e Dra. Gilselena Kerbauy
Mesa: Dietas Restritivas e Transtornos Alimentares
Dietas Restritivas: Fisiologia e Nutrição / Dietas Restritivas: Gatilho Para os Transtornos Alimentares / Transtornos Alimentares: O Que são e Como Tratar?
Dra. Taciana Hatanaka, Dr. Ubirajara Aguiar, Profª Maria Bonfim e Dr. Rafael Sanches
17:30 n - 18:30
Apresentação dos Trabalhos ( BANNER)
19:00
ENCERRAMENTO: Os Cuidadores que Precisam de Cuidados: Saúde Mental dos Estudantes de Medicina
Dra. Maria Cristina

Aula Magna de Encerramento

Os Cuidadores que Precisam de Cuidados: Saúde Mental do Estudante de Medicina


Dra. Maria Cristina Pereira Lima - Ver Lattes

No mês de abril deste ano, o Brasil voltou seu olhar para a Faculdade de Medicina da USP após ao menos seis casos de tentativa de suicídio terem sido registrados entre alunos do quarto ano do curso. Infelizmente, essa situação não é incomum. Diferentes formas de sofrimento psíquico têm se mostrado prevalentes entre estudantes da área da saúde. Embora não seja exclusividade dos estudantes de Medicina, há um claro predomínio de sintomas psiquiátricos e transtornos mentais demonstrados em estudos nessa população. Em busca de respostas para essa questão, o contato com a morte, a agressividade inerente a muitas intervenções, a dificuldade em comunicar más notícias, os “pacientes-problema”, os sistemas de saúde, entre outros, têm sido insistentemente apontados como importantes estressores. Mas, para além disso, tem-se levantado uma questão: o sofrimento psíquico antecederia a escolha profissional ou o processo de formação vivenciado na graduação seria nocivo à saúde mental dos estudantes?

Diante desse cenário preocupante, estigmatizado por colegas, professores e negligenciado pela imensa maioria das escolas médicas, o II COMUEL entende que precisamos falar sobre Saúde Mental do Estudante de Medicina.