Aulas Magnas

Novos e antigos desafios enfrentados nas regiões do país

Aula Magna de Abertura

O Médico e a Finitude da Vida


Dra. Sarah Vieira Carneiro - Ver Lattes

A humanidade luta incessantemente contra a morte e, para isso, vem desenvolvendo inúmeros recursos tecnológicos na tentativa de impedi-la ou de postergá-la. Entretanto, em muitos momentos, esse esforço instrumental e técnico para prolongar a existência afasta o médico do contato próximo com seu paciente.

As escolas médicas constroem o ensino seguindo essa lógica e pautam o conhecimento científico com um propósito bem estabelecido: a cura. Contudo, diante de pacientes em situações limítrofes, curar nem sempre é uma possibilidade. Conhecer detalhadamente a fisiopatologia das doenças, os protocolos e as condutas é crucial, mas insuficiente, embora, muitas vezes, pareça ser nossa única e maior contribuição. E, por isso, a busca inesgotável pela cura acaba nos frustrando intensamente, apesar de sabermos que a única certeza da vida é a morte.

Somos ilusoriamente levados a acreditar que podemos condicionar tudo a nossa vontade e passamos então a interpretar a morte como uma falha do nosso esforço. Esquecemos, porém, um dos pilares da profissão médica: o cuidado. Este que enxerga a pessoa além da enfermidade, torna o ato médico humano, ultrapassa a carência de respostas para um mal e sabe que é possível e natural chegar ao fim com dignidade.

Cuidar nos remete às raízes dessa arte que zela por pessoas, não doenças, e entende que a morte é uma parte integrante e inalienável da vida. Aceitar a morte não como momento, mas como um processo em que a pessoa procura ressignificar a vida sem perder sua identidade é um desafio que precisamos enfrentar. Talvez, a morte seja a parte mais frágil da nossa existência e participar dessa etapa representa uma dádiva ao médico que conseguir ser alento ao acompanhar, em sua humanidade, o fim de uma jornada. Dessa forma, o II COMUEL entende que precisamos aprender a falar sobre morte e sobre luto, pois nossa vida e nosso percurso profissional, sem dúvida, passam por eles.

Aula Magna de Encerramento

Os Cuidadores que Precisam de Cuidados: Saúde Mental do Estudante de Medicina


Dra. Maria Cristina Pereira Lima - Ver Lattes

No mês de abril deste ano, o Brasil voltou seu olhar para a Faculdade de Medicina da USP após ao menos seis casos de tentativa de suicídio terem sido registrados entre alunos do quarto ano do curso. Infelizmente, essa situação não é incomum. Diferentes formas de sofrimento psíquico têm se mostrado prevalentes entre estudantes da área da saúde. Embora não seja exclusividade dos estudantes de Medicina, há um claro predomínio de sintomas psiquiátricos e transtornos mentais demonstrados em estudos nessa população. Em busca de respostas para essa questão, o contato com a morte, a agressividade inerente a muitas intervenções, a dificuldade em comunicar más notícias, os “pacientes-problema”, os sistemas de saúde, entre outros, têm sido insistentemente apontados como importantes estressores. Mas, para além disso, tem-se levantado uma questão: o sofrimento psíquico antecederia a escolha profissional ou o processo de formação vivenciado na graduação seria nocivo à saúde mental dos estudantes?

Diante desse cenário preocupante, estigmatizado por colegas, professores e negligenciado pela imensa maioria das escolas médicas, o II COMUEL entende que precisamos falar sobre Saúde Mental do Estudante de Medicina.